sexta-feira, 13 de junho de 2014

As relações comunitárias são a base para a criação de uma associação

No dia 10 de junho, também a convite da Verthic, facilitei uma oficina sobre associativismo na Aldeia Terã Wagã, na Volta Grande do Xingu, no Estado do Pará com o objetivo de apresentar as diferentes formas de organização de uma associação, as vantagens e desvantagens de cada uma, dando continuidade ao aprendizado que tiveram com um intercâmbio para conhecer as experiências associativas dos povos Timbira e Xerente. Participaram 17 lideranças de 4 aldeias dos povos Arara e Juruna.


Como na grande maioria dos casos, querem gerir recursos que venham a beneficiar as suas aldeias. A primeira atividade foi relatarem e refletirem sobre as experiências que conheceram no intercâmbio. Em uma delas, o dinheiro recebido de uma indenização foi investido na compra de veículos, equipamentos e outros bens. O dinheiro acabou e as aldeias voltaram às condições anteriores. Na outra, o dinheiro, que está sendo recebido em parcelas anuais, é investido em uma conta bancária e apenas os rendimentos são gastos em projetos apresentados pelas aldeias. A gestão é feita por uma organização que inclui indígenas e indigenistas. Entre as duas, avaliaram que a segunda é muito mais interessante, por propiciar a continuidade de recursos e investir em projetos de desenvolvimento, ao invés de bens.

Estes povos, entre outros que são contemplados pelo Plano Básico Ambiental – Componente Indígena da Hidrelétrica de Belo Monte, receberam em um Plano Emergencial, que antecedeu o PBA-CI valores mensais em bens ou produtos que solicitavam. Avaliam que o dinheiro não foi bem gasto e muito pouco ficou de benefício nas aldeias após esse período. As lideranças Arara e Juruna da Volta Grande do Xingu não querem que seja repetido o mesmo erro. Pensam em criar uma associação para o caso de indenizações futuras.


Como essa situação ainda não se apresentou concretamente, perguntei se a associação serviria apenas para gerir recursos e se havia algo a ser feito por uma associação além de gerir recursos. Disseram que há várias outras coisas que uma associação pode fazer, como lutar por melhorias na educação e na saúde, organizar atividades de geração de renda para as famílias, defender os direitos dos associados, inclusive nos casos em que foram previstos legalmente, mas não foram efetivados, fortalecer as relações comunitárias e ser uma representação legal dos povos e comunidades associados a ela. Demonstraram clareza ao identificar a necessidade de ter uma representação legal para receber recursos e movimentá-los, reivindicar e gerir benefícios e programas de políticas públicas como manutenção das escolas, compra de merenda escolar da própria comunidade, emitir notas fiscais de comercialização de produtos.

Dando a ponta de um barbante para uma das lideranças segurar, foi perguntado com quem ele já tinha conversado sobre essas necessidades das aldeias e tinham encontrado alguma afinidade nas propostas. O barbante foi esticado até a pessoa indicada, que segurou também. Assim foi sendo perguntado para cada um deles até que todos estivessem envolvidos nessa “teia” ou rede de relações. Foi explicado que uma associação é constituída por pessoas que querem trabalhar juntas para conseguirem fazer ou conquistar coisas que não conseguiriam se tentassem fazendo sozinhas. Então, uma associação é uma rede como aquela demonstrada na dinâmica, para atingirem objetivos como aqueles que tinham falado anteriormente.


Algumas aldeias presentes têm as suas associações comunitárias e as que não têm estão se preparando para fundá-las. As lideranças concluíram que primeiro devem fortalecer essas associações de base para depois pensarem em uma associação regional. Enquanto isso, vão continuar se encontrando para amadurecer a ideia, conversarem sobre os problemas enfrentados hoje e as perspectivas de futuro, fortalecendo assim a articulação entre eles.

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