terça-feira, 13 de maio de 2014

A importância do financiamento de pequenas iniciativas comunitárias

Nos dias 22 de abril a 01 de maio, estive em Aracruz, no Espírito Santo, realizando oficinas em aldeias Tupinikim e Guarani para elaboração de projetos para serem encaminhados ao Fundo de Apoio para Iniciativas Comunitárias Indígenas – FAICI, convidado pela Kambôas Socioambiental, que gere o fundo em parceria com a Fibria Celulose S/A.

O fundo, recém criado e em sua primeira chamada de projetos, financia projetos individuais, de famílias, grupos ou associações no valor de até R$ 5 mil, nas áreas de geração de trabalho e renda, subsistência, cultura e esportes.

Depois de participarem de reuniões de divulgação do edital, várias pessoas já chegavam com uma ideia ou mesmo propostas sendo elaboradas. Outros, acostumados a ouvir falar em grandes valores, de projetos ou indenizações, reagiam de imediato dizendo que o valor era insignificante. Alguns começaram a repensar quando foram informados que várias pessoas estavam procurando ajuda para elaborar projetos para coisa pequenas, mas muito importantes para elas.

As propostas eram bastante diversificadas, como reflexo da situação particular daqueles povos indígenas com fortes ligações com a cidade próxima e aldeias nas margens ou próximas de estradas. Iam desde atividades tradicionais como reflorestar a área com frutíferas, fazer casa de farinha até abrir copiadora, lanchonete ou lava carro.

Uma família, que cria perus e galinhas soltos na aldeia, tem tido problemas de carros que atropelam as aves, cachorros que matam ou mesmo os bichos criando problemas com os vizinhos. Querem fazer um cercado de tamanho suficiente para continuarem ciscando e uma área coberta para passarem a noite, botarem e chocarem os ovos. Eles já criam há vários anos e possuem 17 perus, 40 galinhas e outro tanto de pintinhos. Acreditam que sem a perda de animais que tem hoje, a criação vai aumentar.

Outro tem uma pequena oficina de bicicletas e precisa de alguns equipamentos e peças para continuar seu negócio.

Um produtor de mandioca não tem como fazer farinha, porque só tem uma casa de farinha na aldeia, com muitas famílias, e tem vendido sua produção à meia para outra pessoa. Com uma casa de farinha poderá fazer sua própria produção.

Uma aldeia Guarani decidiu fazer um projeto coletivo para a construção de uma Casa de Reza, local tradicional de nomeação das crianças, rituais tradicionais e reuniões. O pequeno valor será suficiente porque a mão de obra e boa parte do material será contrapartida da comunidade.
E por aí se multiplicam as iniciativas comunitárias que poderão ser apoiadas pelo FAICI.
Há muitas experiências de financiamento ou autofinanciamento de pequenos projetos espalhadas pelo Brasil, assim como também programas de micro-crédito bem sucedidas, que acabam provocando um impacto significativo na vida de muitas pessoas. Por outro lado, vemos muitos projetos grandiosos e indenizações milionárias naufragarem, principalmente quando são impostos às comunidades.


É  muito importante estimular a criatividade e a capacidade produtiva das próprias comunidades. Projetos maiores e indenizações bem geridas não devem ser descartadas, mas acredito que experiências como esta devem ser estimuladas e multiplicadas pelo grande resultado que geralmente dão.


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