sábado, 13 de julho de 2013

Padereéhj e Doá Txatô vão caminhar com as próprias pernas?



Nesta semana, de 08 a 12 de julho, Henyo Barreto e eu demos continuidade ao trabalho de desenvolvimento organizacional com a Organização Padereéhj e a Associação Indígena Doá Txatô.

Com a Padereéhj trabalhamos desde novembro do ano passado, orientando a reforma do Estatuto; assessorando a realização de uma Assembleia Geral Extraordinária que elegeu uma nova diretoria e elaborou uma agenda de trabalho; participando de reuniões da Coordenação Executiva para discutir a reestruturação da associação.


Com a Doá Txatô trabalhamos desde abril de 2012 facilitando a elaboração de diagnóstico organizacional; a reforma do Estatuto, elaboração de diagnóstico e planejamento participativo com representantes das aldeias; Assembleia Geral Ordinária para aprovar a reforma do Estatuto e o Plano de Ação; reuniões com a Diretoria e Conselho Fiscal para monitorar a execução do Plano de Ação, as ações da Diretoria para desenvolvimento da associação e orientação para o Conselho Fiscal desempenhar as suas funções. Essas ações não foram aleatórias, mas encadeadas em uma metodologia de desenvolvimento organizacional, já descrita aqui anteriormente.

Além do trabalho previsto, Henyo tinha a dura missão de informar que o projeto que financiava essas atividades estava sendo encerrado e que esta seria a última atividade a ser desenvolvida com eles até que se consiga novos recursos. O encerramento foi antecipado de setembro para julho por conta da limitação financeira.


Como seria de esperar, a sensação foi de “abandono antes da hora”. Apesar do encerramento daquele projeto, estávamos todos confiantes na aprovação de novos projetos e esperançosos de que a continuidade do trabalho não seria prejudicada.

Relembramos que um trabalho adequado de desenvolvimento organizacional tem como horizonte não ser mais necessário um dia e esse princípio nos orientou todo o tempo, instrumentalizando os diretores e lideranças com conhecimentos, técnicas e metodologias, de forma que pudessem depois fazerem sem precisarem de nossa colaboração.

Outro aprendizado foi que financiamentos são temporários e nem sempre disponíveis e os parceiros, quando também deixam de ter disponibilidade, perdem as condições de continuar apoiando. Por isso é fundamental que aproveitem o período de trabalho conjunto e desenvolvam capacidades para que a associação continue caminhando “com suas próprias pernas”. Nos dispusemos a continuar orientando à distância o que precisarem e for possível fazer dessa forma. Outras atividades continuam a ser desenvolvidas pelo IEB na região, de forma que podem ser feitas conversas paralelas a esses eventos sobre as associações.

Em especial a Doá Txatô, com quem desenvolvemos atividades por mais tempo, teve ganhos institucionais que não pode deixar se perder: a associação tem uma prática de pagamento de mensalidade pelos associados que, se intensificada, pode dar condições para que ela pague as suas despesas básicas com esses recursos próprios; a Diretoria conviveu com processos de diagnóstico, planejamento e monitoramento da execução do Plano de Ação e tem condições de continuar a fazê-lo para que o planejamento seja efetivado; os tesoureiros foram capacitados para a elaboração de controles financeiros em planilhas eletrônicas, que ajudam muito na gestão dos recursos; o Conselho Fiscal aprendeu e está desempenhando suas funções, o que é raro nas associações comunitárias, iniciando uma cultura de transparência que será sempre salutar para a organização. Foi planejada para setembro a realização de uma Assembleia Geral Extraordinária, custeada com os recursos da associação, para avaliarem esse período de aprendizagem com o IEB, o trabalho da diretoria eleita em janeiro deste ano e organizarem a coleta e comercialização da próxima safra de castanha.

O segundo tesoureiro, na avaliação final dos trabalhos, disse que achava que o trabalho de tesoureiro era só receber o dinheiro e gastar, que não precisava nota fiscal, era só explicar como o dinheiro foi gasto. Vimos que precisa comprovar tudo. Com o que aprendemos, podemos dar continuidade. Um dos conselheiros achava que o Conselho Fiscal era só para avaliar, assim, mas vi que tem uma função bem bacana de fazer. Depois da primeira reunião em maio, disse para o conselheiro que não veio que ele deveria participar da próxima, porque a gente estava fazendo uma coisa muito importante, estava atuando mesmo. Remetendo ao conhecido princípio de que “só os tolos acreditam que sabem”, o tesoureiro relatou que quando fomos eleitos, a gente pensava que sabia tudo sobre associação. Com essa capacitação vimos que só sabíamos um pouquinho. Par ao presidente, precisamos valorizar a capacitação que recebemos e, quando voltarem a trabalhar com a gente, vão ver que usamos bem o que aprendemos.



Nenhum comentário:

Postar um comentário