sexta-feira, 14 de setembro de 2012

E quem vai fazer? Esse menino aí...


Nos dias 03 a 09 de setembro, junto com Rachel Lange, assistente de campo do IEB, acompanhados por Valdecy, recém empossado presidente da Associação dos Moradores e Amigos da RDS do Juma - AMARJUMA, em Novo Aripuanã, sul do Amazonas, realizamos mais uma etapa do Diagnóstico e Planejamento Participativos da associação. Fizemos 4 reuniões com representantes de 7 comunidades do Rio Aripuanã.

Em cada reunião, antes de iniciar o diagnóstico foi falado sobre os objetivos e funcionamento de uma associação, dando ênfase para a participação dos associados. Utilizamos a metáfora sugerida por uma liderança indígena da Associação Doá Txatô, em Alta Floresta – RO, da associação funcionando como um corpo. Ela tem se mostrado uma forma bastante eficaz para os associados entenderem que a associação não é só o presidente, que deve resolver todos os problemas, mas sim os associados trabalhando juntos para atingir seus objetivos. Ajuda também a entender que o trabalho dos associados deve ser organizado, por exemplo, em grupos por atividades nas comunidades, além de dividirem com a diretoria a participação em reuniões para a discussão de temas relevantes e as tarefas administrativas. Cabe à diretoria, que é “a cabeça”, identificar as pessoas com potencial e disposição, mobilizar e organizar essas pessoas para trabalharem juntas, afinal dividir tarefas também é fazer juntos.

Os problemas foram discutidos, algumas vezes em grupos, dependendo do número de pessoas, priorizados e transformados em objetivos: O que vocês pretendem fazer com os recursos da RDS para viverem felizes aqui? Atividades, recursos, prazos, responsáveis e parceiros foram definidos coletivamente.

Em vários momentos do planejamento, quando perguntados sobre quem era o responsável por realizar as atividades para atingir determinado objetivo, lembravam: É esse menino aí. Os associados trabalhando juntos.

Nas avaliações destacaram a importância de serem ouvidos sobre os problemas que enfrentam e como devem ser solucionados. Também ficou claro que devem valorizar as potencialidades das comunidades para a solução de seus problemas e melhorias que pretendem conseguir. Devem aproveitar as oportunidades que podem ser oferecidas por parceiros e financiadores, de forma complementar aos seus próprios meios, mas não podem ficar esperando só por isso. Ao reivindicar políticas públicas do governo, não devem apenas entregar um documento e ficar esperando indefinidamente por uma resposta. Devem ser criativos na elaboração de estratégias e persistentes. Lembrando a clássica música de Chico Buarque: Ouça um bom conselho / Que lhe dou de graça / Inútil dormir que a dor não passa. / Espere sentado ou você se cansa. / Está provado, quem espera nunca alcança.


Os planos propostos nessas e reuniões e nas outras realizadas em julho serão sistematizados. Em reunião a ser realizada no início de outubro com os conselheiros de setor, será complementado e validado para dar origem ao Plano de Ação da associação.

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