sexta-feira, 8 de junho de 2012

Recurso não é só dinheiro: as potencialidades da comunidade valem muito!


Nesta semana, de 05 a 07 de junho, voltei com Henyo Barreto, Coordenador do Projeto Conservação da Biodiversidade em Terras Públicas na Amazônia Brasileira, do IEB, à Aldeia São Luis, na Terra Indígena Rio Branco, em Alta Floresta D’Oeste – Rondônia.

Conforme planejado em abril, nos reunimos com diretores e conselheiros da associação e algumas lideranças para fazer o diagnóstico organizacional, esclarecer os diretores e conselheiros sobre as suas atribuições, avaliar como estão desenvolvendo suas atividades, buscar formas de melhorar o funcionamento administrativo e financeiro e fazer coletivamente uma proposta de reforma do Estatuto, a ser aprovada pela Assembléia Geral em breve.

Iniciamos com o diagnóstico organizacional, coletando informações dos participantes sobre os indicadores de desenvolvimento organizacional. Foi destacado que esta atividade é importante não só para que o consultor conheça melhor a associação é possa definir junto com eles as atividades necessárias para a realização do trabalho, mas para eles também conhecerem melhor sua organização, tendo um olhar sobre seus diferentes aspectos, incluindo aqueles que talvez não tenham ainda dado atenção. Durante a atividade já foram indicadas ações práticas, quando se tratava de questões pontuais, para sanar alguma fragilidade. Questões mais estratégicas ficaram para ser trtadas posteriormente.

Quando íamos tratar da captação de recursos, algumas lideranças disseram que aquele era o aspecto mais importante da associação porque sem recurso não dá para fazer nada. Refletimos que, sem dúvida, os recursos são fundamentais. No entanto, recurso não é só dinheiro. Há muitos recursos existentes na própria comunidade, as suas potencialidades, que devem ser identificados e valorizados: mão de obra, equipamentos, veículos, instalações, terra, semente, conhecimentos, etc. Muitos problemas da comunidade podem ser solucionados apenas com esses recursos próprios. Quando não são suficientes, podem contar também com as oportunidades, tanto de financiamento, como também de assistência técnica em diversas áreas, entre outros recursos não financeiros, que podem ser conseguidos com organizações parceiras, tanto privadas quanto governamentais.

Para destacar que o tempo despendido por diretores e associados nas atividades coletivas também é um recurso muito importante, Henyo usou a conhecida brincadeira da forca para identificar palavras. O tempo dedicado à associação, que está relacionado com o conhecimento ao usar a mão de obra, “também é dinheiro”.

O aprendizado com o diagnóstico organizacional também por parte das lideranças foi confirmado em alguns depoimentos dados no dia seguinte, quando foi perguntado se fazer o diagnóstico ajudou a conhecer melhor a associação:

- Aprendi coisas que não sabia. Agora temos que colocar em prática.

- O conhecimento que trouxeram para nós ajuda a desenvolver o trabalho que queremos fazer. Tinha coisas que não sabia e fiquei sabendo. Coisas que a gente queria fazer e não sabia que era daquele jeito. Agora sabemos.

- Aprendi várias coisas. Ajuda a gente a ter idéias de como fazer.

- Ajudou a saber melhor como usar essa ferramenta.

- Falando sobre os tipos de recursos, vimos que a associação tem um grande potencial também junto às comunidades e não só em atividades fora.

- Foi bom saber que recurso não é só dinheiro. Cada pessoa tem que assumir e desempenhar seu papel. Assim vai funcionar. Foi importante ver que cada um tem que reservar um tempo para trabalhar na associação. Fazer um calendário para saber que aquele dia é para trabalhar para a associação.

A próxima atividade, a ser realizada no final de julho e início de agosto, será o levantamento e priorização de problemas e o planejamento de ações da associação, com a participação de representantes das 13 aldeias, divididas em dois grupos, que se reunirão nas aldeias São Luis e Serrinha.


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